Até 60.000 mortes por ano podem ser evitadas em seis países da região, se forem adotadas a rotulagem de segurança do Latin NCAP e as normas de segurança veicular das Nações Unidas
22.01.2020

O relatório final do Projeto de Bem Público Regional (BPR)*, “Melhorias nas normas de segurança de veículos na América Latina e no Caribe por meio da adoção de regulamentos das Nações Unidas (ONU) e sistemas de informação ao consumidor”, liderado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, analisa os efeitos potenciais sobre a saúde pública e o impacto econômico na região como resultado da incorporação de tecnologias de segurança veicular. O relatório inclui informações dos países signatários do BRP: Argentina, Brasil, Mexico, Colômbia, Equador e Uruguai.

O relatório analisa os regulamentos existentes nesses países, gera uma proposta de regulamento para uma aplicação eficiente e para o processo de aprovação. A segunda parte do estudo, conduzida pela Universidade de Chicago, analisa os possíveis impactos à saúde, com base na estimativa do número de vidas que seriam salvas e do ônus da deficiência evitado como resultado da adoção de normas de segurança. A terceira parte do estudo, elaborado sob a supervisão da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), analisa os impactos econômicos em termos de renda e emprego, trocas comerciais e implicações fiscais nos países da ALC, como resultado da possível adoção dos Regulamentos da ONU selecionados.

Accese o Relatório completo (em Espanhol) aqui

Potenciais impactos na saúde

As tecnologias de segurança veicular avaliadas neste estudo são: sistema de frenagem antibloqueio (ABS em inglês), controle eletrônico de estabilidade (ESC em inglês), airbags frontais, airbags laterais, cintos de segurança, barras de impacto lateral nas portas, proteções laterais, encosto para cabeças e design dianteiro do veículo para proteção de pedestres. As tecnologias analisadas no relatório detalhado devem cumprir os requisitos técnicos propostos pelo WP.29 das Nações Unidas.

No caso de uma adoção total das tecnologias analisadas, estima-se uma redução geral potencial para os seis países de 33.000 (28%) menos mortes anuais e um máximo de 53.400 mortes.

Para o efeito do ESC (incluindo os efeitos do ABS), seria obtida uma redução de 10.000 a 37.000 mortes por ano, com uma estimativa geral de 22.800 (19%) menos mortes na região. No que diz respeito ao aumento da disponibilidade de airbags frontais, que são eficazes para complementar os cintos de segurança em impactos frontais, permitiria uma redução de 2.700 a 5.100 mortes anuais, com uma estimativa geral de 4.100 (3,5%) menos de fatalidades na região da ALC, considerando a ampla presença desses elementos hoje. Os airbags laterais que incluem proteção para a cabeça são a tecnologia mais importante para mitigar mortes e lesões em casos de impactos laterais, pois a região pode observar entre 2.500 e 4.000 mortes a menos por ano, com uma estimativa geral de 3.300 (3%) menos mortes, devido à crescente disponibilidade de airbags laterais.

O design frontal do veículo para proteção de pedestres é especialmente importante, já que eles representam uma grande proporção de mortes em muitos países. A região da América Latina e do Caribe sofreria uma redução entre 4.400 e 7.300 mortes, com uma estimativa principal de 7.100 (6,0%) menos mortes por ano, aumentando a disponibilidade de veículos projetados para proteção de pedestres.

É importante também ter em mente que os programas NCAP podem levar os fabricantes a desenvolver projetos que ofereçam segurança que exceda os requisitos mínimos dos regulamentos da ONU. Por exemplo, essa análise mostra que a região da ALC teria reduções muito maiores no impacto lateral (7.400 mortes) se mecanismos como o NCAP fossem usados para incentivar os fabricantes a fazer os melhores projetos de veículos disponíveis na região.

Deve-se considerar que dezenas de milhares de feridos também seriam evitados ou mitigados, mas não foram quantificados neste estudo.

Potenciais impactos econômicos

 No cenário mais provável, estima-se que a implementação das tecnologias recomendadas nos Regulamentos da ONU, desenvolvidos pelo WP.29, geraria um crescimento econômico regional da ordem de 0,79% do Produto Interno Bruto (PIB), com efeitos diferentes para cada país, de acordo com as características estruturais e de comércio exterior de cada um deles.

O crescimento esperado na Argentina seria de aproximadamente 1,04% do PIB. No melhor cenário, o país poderia gerar um crescimento máximo de 1,9%, enquanto em um cenário mais conservador, poderia crescer 0,7%. O Brasil deve crescer 1,02%, com um cenário melhor de 1,9% e o pior de 0,7%. A Colômbia pode crescer 0,63% no cenário de linha de base, 1,6% no melhor e 0,5% no pior. O Equador teria um crescimento esperado de 0,61%, no pior de 0,4% e, no melhor dos casos, de 1,3%. O México poderia crescer 0,5%, um cenário melhor de 1,2% e um cenário pior de 0,4%. Finalmente, o Uruguai teria um crescimento esperado de 0,59%, um cenário melhor de 1,7% e, no pior caso, de 0,4%.

Embora seja possível que haja setores mais e outros menos beneficiados como resultado da implementação do Regulamento da ONU, é apreciado que o emprego registraria um crescimento que varia entre o mínimo de 0,25%, para o Uruguai, e o máximo de 1,05%, para o México. Esse resultado sugere que o bem-estar das casas dos trabalhadores não deve ser afetado no médio prazo.

Modificar as preferências do consumidor para obter carros mais seguros e limpos ajuda a acelerar o processo de mudança. Programas de avaliação de veículos, como o Latin NCAP, desempenham um papel fundamental nesse processo de alteração das preferências do consumidor, tornando as informações acessíveis e transparentes a todos os consumidores.

Sobre regulamentos

Da análise feita aos seis países, constatou-se que nenhum deles é signatário (parte contratante) dos Acordos da ONU de 1958, 1997 ou 1998. Alguns países optaram por uma aplicação parcial e modificada em combinação com os padrões nacionais dos Regulamentos da ONU anexados ao Acordo de 1958, sem a certificação e os controles adequados. Não há verificação da conformidade da produção, o que não permite verificar se os veículos no mercado realmente cumprem a regulamentação exigida. Alguns regulamentos nacionais exigem tecnologias específicas, como airbags, ABS ou cintos de três pontos, mas seu desempenho, ou características técnicas, não é detalhado.

 

Alejandro Furas, Secretário Geral do Latin NCAP, disse:

“O BPR representa o esforço conjunto do BID, governos e instituições como CEPAL, Universidade de Chicago e Latin NCAP. É um estudo sem precedentes em nossa região sobre segurança veicular, do qual nos orgulhamos de ter participado. É um capital de grande valor para justificar a necessidade e urgência de promover ações para melhorar a segurança dos carros que circulam em nossa região. O relatório mostra claramente a necessidade de uma ação combinada da aplicação de normas da ONU devidamente controladas e verificadas, ao disponibilizar informações ao consumidor sobre segurança (Latin NCAP). Temos altas taxas de pedestres e ciclistas falecidos que são impactados por carros. Precisamos melhorar a segurança dos carros para que eles protejam melhor tanto os que estão dentro quanto fora”.

 

Sobre o bem público regional

O Bem Público Regional (BPR) do “Apoio à implementação das normas de regulamentação de veículos na América Latina e no Caribe” é um projeto desenvolvido com o apoio técnico e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Isso nasceu como uma resposta ao pedido expresso dos países da região sobre a necessidade de abordar a segurança dos veículos como um componente essencial da segurança nas estradas, levando em consideração os baixos resultados nas avaliações de segurança dos veículos de passageiros e as altas taxas de fatalidade apresentadas pela região da ALC. Este estudo analisa uma lista de dezessete Regulamentos da ONU sobre segurança e emissões de veículos que foram selecionados pelos países beneficiários.

O BPR tem como objetivo analisar o âmbito regulatório dos países envolvidos, propor ajustes e fornecer ferramentas e estratégias aos governos da região para enfrentar o problema da regulamentação de veículos em termos de segurança e emissões. O BPR se concentra nos veículos pequenos de passageiros1, mencionados nas categorias M1 e N1 derivadas do M1, embora várias recomendações sejam aplicáveis a veículos maiores. Os países em estudo deste BPR foram Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, México e Uruguai; no entanto, o relatório é desenvolvido para que suas recomendações sejam aplicáveis a toda a região.

Acerca do Latin NCAP

O Programa de Avaliação de Carros Novos para a América Latina e o Caribe (Latin NCAP) foi lançado em 2010 para desenvolver um sistema regional independente de testes de colisão de veículos e de qualificação de segurança na região. O Latin NCAP replica programas de testes de consumidores similares desenvolvidos nos últimos trinta anos na América do Norte, na Europa, na Ásia e na Austrália, que demonstraram ser muito eficazes na melhora da segurança dos veículos. Desde 2010, o Latin NCAP vem publicado os resultados de mais de 120 veículos em dez fases de teste. www.latinncap.com/resultadosO Latin NCAP agradece o apoio recebido pelo Global New Car Assessment Programme (Global NCAP), pelo International Consumers Research and Testing (ICRT), pela FIA Foundation, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela Bloomberg Philanthropies Global Road Safety Initiative.O Latin NCAP é membro associado do Global NCAP e apoia o Decênio de Ação das Nações Unidas para a Segurança Viária 2011-2020, especialmente o pilar referido ao veículo do Plano Mundial e à iniciativa Stop the Crash.

 

M1: Veículos destinados ao transporte de passageiros com até 9 lugares, incluindo o motorista. N1: Veículos de carga com um máximo autorizado de 3.500 kg. M1a: Veículos de passageiros adaptados para cargas até 3.500 kg. M1b: Veículos de carga adaptados para passageiros de até 3.500 kg.